O golpe de Estado de 2016 no Brasil!

Texto de Michael Löwy.

Golpe de Estado pseudolegal, “constitucional”, “institucional”, parlamentar ou o que se preferir. Mas golpe de Estado. Parlamentares – deputados e senadores – profundamente envolvidos em casos de corrupção (fala-se em 60%) instituíram um processo de destituição contra a presidente pretextando irregularidades contabilísticas, “pedaladas fiscais”, para cobrir défices nas contas públicas – uma prática corriqueira em todos os governos anteriores! Não há dúvida de que vários quadros do PT estão envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras, mas Dilma não… Na verdade, os deputados de direita que conduziram a campanha contra a presidente são uns dos mais comprometidos nesse caso, começando pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (recentemente suspenso), acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fiscal etc.

A prática do golpe de Estado legal parece ser a nova estratégia das oligarquias latino-americanas. Testada nas Honduras e no Paraguai (países a que a imprensa costuma chamar de “República das Bananas”), ela mostrou-se eficaz e lucrativa para eliminar presidentes (muito moderadamente) de esquerda. Agora foi aplicada num país que tem o tamanho de um continente…

Podemos fazer muitas críticas a Dilma: ela não cumpriu as promessas de campanha e faz enormes concessões a banqueiros, industriais, latifundiários. Há um ano a esquerda política e social cobra uma mudança de política económica e social. Mas a oligarquia de direito divino do Brasil – a elite capitalista financeira, industrial e agrícola – não se contenta mais com concessões: ela quer o poder todo. Não quer mais negociar, mas sim governar diretamente, com seus homens de confiança, e anular as poucas conquistas sociais dos últimos anos.

Citando Hegel, Marx escreveu no 18 de Brumário de Luís Bonaparte que os acontecimentos históricos repetem-se duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa. Isso aplica-se perfeitamente ao Brasil. O golpe de Estado militar de abril de 1964 foi uma tragédia que mergulhou o Brasil em vinte anos de ditadura militar, com centenas de mortos e milhares de torturados. O golpe de Estado parlamentar de maio de 2016 é uma farsa, um caso tragicómico, em que se vê uma cambada de parlamentares reacionários e notoriamente corruptos derrubar uma presidente democraticamente eleita por 54 milhões de brasileiros, em nome de “irregularidades” contabilísticas. A principal componente dessa aliança de partidos de direita é o bloco parlamentar (não partidário) conhecido como “a bancada BBB”: “Bala” (deputados ligados à Polícia Militar, aos esquadrões da morte e às milícias privadas), “Boi” (grandes proprietários de terra, criadores de gado) e “Bíblia” (neopentecostais integristas, homofóbicos e misóginos). Entre os partidários mais empolgados com a destituição de Dilma destaca-se o deputado Jair Bolsonaro, que dedicou o seu voto aos oficiais da ditadura militar e nomeadamente ao coronel Ustra, um torturador notório. Uma das vítimas de Ustra foi Dilma Rousseff, que no início dos anos 1970 era militante de um grupo de resistência armada, e também o meu amigo Luiz Eduardo Merlino, jornalista e revolucionário, morto em 1971 sob tortura, aos 21 anos de idade.

O novo presidente, Michel Temer, entronizado por seus acólitos, está envolvido em vários casos suspeitos, mas ainda não é alvo de investigação

 

O novo presidente, Michel Temer, entronizado por seus acólitos, está envolvido em vários casos suspeitos, mas ainda não é alvo de investigação. Uma pesquisa recente perguntou aos brasileiros se eles votariam em Temer para presidente da República: 2% responderam que sim…

Ódio à democracia”

Em 1964, grandes manifestações “da família com Deus pela liberdade” prepararam o terreno para o golpe contra o presidente João Goulart; desta vez, multidões “patrióticas” – influenciada pela imprensa submissa – mobilizaram-se para exigir a destituição de Dilma, em alguns casos chegando a pedir o retorno dos militares… Formadas essencialmente por brancos (os brasileiros são em maioria negros ou mestiços) de classe média, essas multidões foram convencidas pelos média de que, nesse caso, o que está em jogo é “o combate à corrupção”.

O que a tragédia de 1964 e a farsa de 2016 têm em comum é o ódio à democracia. Os dois episódios revelam o profundo desprezo que as classes dominantes brasileiras têm pela democracia e pela vontade popular.

O golpe de Estado “legal” vai transcorrer sem grandes obstáculos, como nas Honduras e no Paraguai? Isso ainda não é certo… As classes populares, os movimentos sociais e a juventude rebelde ainda não deram a última palavra.

Fonte: https://www.cartamaior.com.br

Anúncios

Carta de despedida de Olga Benário Prestes.

Olga Benário foi uma militante comunista alemã judaica, na qual foi mandada para o Brasil pela Internacional Comunista em 1934 para apoiar o Partido Comunista Brasileiro juntamente com Luis Carlos Prestes. Tempos depois eles começaram a se relacionar até que em 1935 já estavam casados. Na época o partido era altamente perseguido pelo governo de Vargas e quando conseguiram pega-los, a punição de Vargas à Prestes foi dar a sua mulher, grávida a Alemanha Nazista.

Segue agora a carta em que Olga deixou a Prestes um dia antes de ser deportada.

(ABRIL/1942)

Queridos:

Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças – ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica… Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte.

Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Corformar-me-ia, mesmo que não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver-me dado a ambos. Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha?

Querida Anita, meu querido marido, meu Garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça, pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que esforço-me para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nos últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas… Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijo-os pela última vez.

Olga

Getúlio Vargas: o estadista, a nação e a democracia!

Getúlio Vargas foi o grande estadista do Brasil do século vinte. Vindo de uma família de senhores de terra, Getulio Vargas comandou a transição do Brasil de uma economia agrária para uma economia industrial. Um nacionalista, ele foi capaz de chamar os empresários industriais, a burocracia pública e os trabalhadores urbanos para um pacto político e uma estratégia nacionaldesenvolvimentista. Com um governo autoritário entre 1930 e 1945, ele quebrou a hegemonia das oligarquias agrária e mercantilista que dominavam o Brasil até então. Um populista, ele foi o primeiro político a estabelecer uma relação com o povo ao invés de apenas com suas elites. Em seu segundo governo, entre 1951 e 1954, ele completou seu projeto nacional. Depois dele e do governo Kubitschek, a revolução industrial e a capitalista do Brasil iniciada em 1940 podia ser considerada completa – o que abriu espaço para uma democracia mais consolidada no país.

Resultado de imagem para foto de getulio vargas

Cronologia política do Brasil

A história do Brasil segue uma cronologia de eventos, assim temos os principais eventos ocorrido neste país desde a sua “descoberta” pelos europeus até os dias de hoje.
1500
26 de Janeiro: O navegador Espanhol Vicente YáñezPinzón alcança a costa Nordeste do Brasil
Fevereiro / Março – O navegador Espanhol Diego de Lepe alcança a costa Nordeste do Brasil
22 de Abril: O Português Pedro Álvares Cabral alcança a costa Nordeste do Brasil – data oficial da descoberta
1501: Expedição exploratória à costa do Brasil, com o Genovês Américo Vespúcio
1502: Manuel I de Portugal declara monopólio da Coroa a exploração do pau-brasil (“Caesalpiniaechinata”), arrendando-o por três anos a um consórcio liderado pelo cristão-novo Fernando de Noronha
1503: Expedição exploratória à costa do Brasil sob o comando do Português Gonçalo Coelho
1511: Viagem da nau Bretoa, que embarca, na Feitoria de Cabo Frio, pau-brasil, animais e aves tropicais
1516: Expedição guarda-costas sob o comando de Cristóvão Jacques
1519: Expedição de Cristóvão Jacques ao rio da Prata
1526: Expedição guarda-costas sob o comando de Cristóvão Jacques
1530-1533: Expedição de Martim Afonso de Sousa
1532: Fundação da vila de São Vicente, na ilha de mesmo nome, por Martim Afonso de Sousa; início da lavoura de cana-de-açúcar no Brasil.
1534: Estabelecimento do sistema de Capitanias Hereditárias (Regimento Castanheira)
1535: Fundação da Vila da Vitória, na Capitania do Espírito Santo; fundação da Vila de Olinda, na Capitania de Pernambuco
1548: Capitania da Bahia transformada em capitania da Coroa e capital da Colônia – Instalado o Governo-geral da Colônia; chegada do padre Manuel da Nóbrega (S.J.); chegada da primeira leva de escravos africanos ao Brasil
1549: Fundação da cidade de Salvador
1554: Fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga pelos jesuítas José de Anchieta, Manuel de Nóbrega e outros, embrião da futura cidade de São Paulo
1555: Estabelecimento de uma colónia Francesa na baía de Guanabara por Nicolas Durand de Villegagnon, a chamada França Antártica
1557: Nomeação de Mem de Sá como Governador-geral do Brasil
1560: Mem de Sá desaloja os Franceses da baía de Guanabara, conquistando e destruindo o Forte Coligny
1565: Fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro por Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, no sopé do morro Cara de Cão (Urca)
1566: Derrota definitiva dos Franceses na baía de Guanabara e transferência da cidade do Rio de Janeiro para o alto do morro do Castelo
1567: O Governador da Capitania do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá sistematiza o tráfico de escravos africanos para o Brasil
1580-1640: Dinastia Filipina em Portugal (período da chamada “União Ibérica”)
1594: Estabelecimento de Franceses na Ilha Grande (atual São Luís do Maranhão), a chamada França Equinocial

1600
1609: Os Neerlandeses passam a negociar açúcar diretamente com o Brasil
1616: Fundação do Forte do Presépio, embrião da Vila de Nossa Senhora de Belém do Grão-Pará (atual Belém do Pará)
1621: Fundação, nos Países Baixos, da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.)
1624-1625: Primeira invasão Neerlandesa do Nordeste do Brasil (conquista de Salvador)
1629: Bandeirantes Paulistas (Raposo Tavares e Manuel Preto) assaltam e saqueiam as Missões Jesuíticas no Guaíra
1630-1654: Segunda invasão Neerlandesa ao Nordeste do Brasil (conquista de Pernambuco)
1640: Restauração Portuguesa
1648: Batalha dos Guararapes (primeira grande vitória sobre os Neerlandeses)
1654: Capitulação do Campo do Taborda (rendição final Neerlandesa no Nordeste do Brasil)
1661: Paz de Haia: os Países Baixos reconhecem formalmente a perda do Nordeste do Brasil
1680: Fundação da Colônia do Sacramento
1684: Revolta dos Beckman, no Maranhão
1693: Primeiras descobertas de ouro na região das Minas Gerais
1695: As forças de Domingos Jorge Velho conquistam e arrasam o Quilombo dos Palmares

1700
1705: Início da grande migração Portuguesa para as Minas Gerais
1708: Guerra dos Emboabas nas Minas Gerais
1709: Criação da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro
1715: Assinatura do Tratado de Utrecht, entre Portugal e Espanha
1720: Criação da Capitania das Minas Gerais, desmembrada da Capitania de São Paulo
1727: Introdução do cafeeiro, a partir da Guiana Francesa, no Pará, por Francisco de Melo Palheta
1750: Assinatura do Tratado de Madrid, entre Portugal e Espanha
1759: Extinção das capitanias hereditárias
1761: Assinatura do Tratado de El Pardo, entre Portugal e Espanha
1763: Transferência da capital da colônia para a cidade do Rio de Janeiro
1777: Assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, entre Portugal e Espanha
1789: Inconfidência Mineira
1792: Enforcado Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira

1800
1801: Assinatura do Tratado de Badajoz, entre Portugal e Espanha
1808: Mudança da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro e a Abertura dos Portos às nações amigas
1815: Brasil elevado a Reino Unido de Portugal e Algarve
1817: Missão artística francesa chega ao Brasil
1817: Revolução Pernambucana
1820: Revolução Liberal do Porto
1821: Retorno da Corte Portuguesa a Portugal
1822:
-9 de Janeiro: Dia do Fico
-7 de Setembro: Proclamação da Independência
-12 de Outubro: D. Pedro I é aclamado imperador
1824: 25 de Março: outorgada por D. Pedro I a primeira constituição brasileira
1828: Guerra da Cisplatina
1831: D. Pedro I abdica do trono do Brasil
1835-1845: Revolução Farroupilha
1840: Golpe da Maioridade: D. Pedro II assume o trono, com apenas 14 anos
1865-1870: Guerra do Paraguai
1870: Lançamento do Manifesto Republicano
1888: 13 de Maio: Assinada a Lei Áurea, extinguindo a escravidão legal no Brasil
1889: 15 de Novembro: proclamação da República
1891: Promulgada a primeira constituição do Brasil
1893-1895: Revolta Federalista no Rio Grande do Sul
1894: Eleito Prudente de Morais, primeiro presidente civil do Brasil

1900
1930: Golpe que leva Getúlio Vargas ao poder
1932: Novo Código Eleitoral, institui o voto secreto e estende o direito ao voto para as mulheres
1935: Intentona Comunista
1942: Brasil entra na Segunda Guerra Mundial, contra Alemanha e Itália
1946: Posse do general Eurico Gaspar Dutra, eleito em 1945, após a renúncia de Vargas
1950: Getúlio Vargas é eleito presidente
1954: Suicídio de Vargas. Assume a Presidência da República o seu vice, Café Filho
1955: Juscelino Kubitschek é eleito presidente
1960: Inauguração de Brasília, a nova capital do Brasil
1961: Janeiro: Jânio Quadros assume a presidência da República
-Agosto: Jânio Quadros renuncia; assume o vice, João Goulart
1964 : 31 de Março: Golpe Militar, ou Revolução de 1964: destituição de João Goulart
Assume a presidência o general Humberto de Alencar Castello Branco
1965: Abolido o pluripartidarismo e instituído o bipartidarismo: Arena e MDB
1967: Aprovada pelo Congresso a sexta Constituição Brasileira
Assume a presidência o General Artur da Costa e Silva
-Dezembro: O Congresso é fechado e é decretado o AI-5
1969: Assume a presidência o General Emílio Garrastazu Médici
1974: Assume a presidência o General Ernesto Geisel
1978: Geisel envia emenda ao Congresso que acaba com o AI-5
1979: Assume a presidência o General João Baptista de Oliveira Figueiredo
1980: Fundação do Partido dos Trabalhadores
1983: Fundação da CUT e CONCLAT
1984: 25 de abril – Emenda Dante de Oliveira é rejeitada no congresso por não atingir número mínimo de votos a favor.
1985: 15 de janeiro – Eleito Tancredo Neves pelo colégio eleitoral.
-15 de março – Assume a presidência interinamente José Sarney, vice de Tancredo, pois Tancredo estava internado com complicações após uma cirgurgia de apendicite.
-21 de abril – O falecimento de Tancredo Neves é declarado oficialmente.
-22 de abril – José Sarney é empossado em definitivo.
1986: 1 de março – Lançado o Plano Cruzado, com a criação da nova moeda nacional, o cruzado (Cz$).
-15 de novembro – Eleição para a assembléia nacional constituinte que ficaria encarregada de estabelecer a nova constituição brasileira.
1988: Promulgada a Constituição de 1988
1989: Eleito Fernando Collor de Mello
1992: Fernando Collor sofre o processo de impedimento, assumindo seu vice, Itamar Franco
1994: Lançamento do Plano Real, pelo então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso
1995: Assume a Presidência Fernando Henrique Cardoso, eleito por maioria no primeiro turno da eleição do ano anterior.
1999: Reeleição de Fernando Henrique Cardoso

2000
2003: Assume a presidência Luiz Inácio Lula da Silva, após ser derrotado três eleições seguidas. Foi o primeiro presidente originário das classes populares (migrante nordestino, foi torneiro mecânico e sindicalista). Os dois primeiros anos do governo Lula foram marcados pela busca da governabilidade com o aperto econômico e ortodoxia fiscal. Os dois últimos, por instabilidade política gerada por denúncias de corrupção que atingiram os principais nomes do governo e do Partidos dos Trabalhadores.
2006: Reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva
 

Consciência Negra IFMG-OP

XI Semana de Cultura Afro Brasileira e Africana realizada no IFMG-Campus Ouro Preto

O dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro e representa a luta dos negros contra a discriminação racial.
A celebração relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade. Afinal, as gerações que sucederam a época de escravidão sofreram diversos níveis de preconceito.
E neste dia, nós, alunos do campus IFMG-OP, fizemos diversas apresentações, como danças, capoeira, música, poemas, entre outros. Foi muito bom fazer parte disso e espero que continuem com esse projeto, e que possa melhorar cada vez mais.
– Sayene Dutra

Canal: Hora de História Blog

O Fascismo na Atualidade

Embora tenha entrado em crise após a Segunda Guerra Mundial, alguns aspectos da ideologia fascista ainda estão presentes em alguns grupos e partidos políticos. Na Europa, por exemplo, existem partidos políticos que defendem plataformas baseadas na xenofobia (aversão a estrangeiros).

A reportagem a seguir, publicada em 21/12/2014, mostra a xenofobia presente na Europa. 

A xenofobia cresce na Europa

A extrema-direita em toda a União pretende barrar ou expulsar imigrantes

Dois eventos na segunda-feira 15 não poderiam ser mais colidentes. Em Paris, o presidente François Hollande finalmente inaugurou o Museu da Imigração, criado sete anos atrás. Em Dresden, na Saxônia, o Pegida, sigla para “Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente”, aglutinou 15 mil manifestantes, entre eles vários jovens neonazistas. Em uníssono, a multidão gritava: “Basta com a Sharia (lei islâmica) na Europa”. Detalhe: na Saxônia há 2,1% de estrangeiros, dos quais 0,1% é de muçulmanos.

Um terceiro evento, marcado para sábado 20, em Milão, é também contraditório diante do simbólico gesto de Hollande. Trata-se de um encontro do Movimento Nacionalista dos Povos Europeus, composto de legendas e grupos de extrema-direita de toda a Europa. Os holofotes serão jogados sobre Udo Voigt, líder do Partido Nacional Democrata Alemão, ou NPD, e, desde maio, deputado em Bruxelas. Em 2004, Voigt, de 62 anos, foi condenado por ter dito: “Não há dúvidas, Hitler foi um grande estadista alemão”.

A xenofobia está, mais uma vez, em ascensão no Velho Continente. Em comum, a extrema-direita quer barrar ou expulsar imigrantes e aqueles em busca de asilo. Pretende pôr um fim no acordo de Schengen, que permite a livre circulação de cidadãos europeus por 26 países. Almejam a eliminação do euro e, por tabela, o naufrágio da União Europeia para, e assim, reaver maior autonomia nacional. A crise econômica, é claro, faz eleitores de diferentes tendências ideológicas migrar para os partidos de extrema-direita.

Por essas e outras, integrantes de partidos de centro-direita, como o UMP, e seu líder Nicolas Sarkozy, candidato à Presidência em 2017 na França, adotam o discurso. O principal alvo, quiçá o mais fácil no contexto de “perda de identidade”, é o estrangeiro. Motivo: ele oferece a face a uma mescla de temores. Resumiu na segunda-feira 15 Hollande: “Os estrangeiros são sempre acusados dos mesmos males… São sempre os mesmos preconceitos, as mesmas suspeitas invariavelmente impingidas”. Até numerosos cidadãos de países escandinavos, outrora considerados tolerantes, passaram a colocar estrangeiros na cruz.

Segundo enquetes de intenção de voto, o Partido do Povo Dinamarquês (PPD), de extrema-direita e liderado por Kristian Thulesen Dahl, estaria na dianteira nas eleições legislativas que poderão ocorrer a qualquer momento. O Partido Social-Democrata, da premier Helle Thorning-Schmidt, figura nas pesquisas em terceiro lugar com 19,8% dos votos. Em primeiro, o PPD, com 21,2%, seguido pelos Liberais, com 20,9%. Uma aliança entre PPD e Liberais não pode ser descartada. Na Noruega, o Partido do Progresso está no governo desde as legislativas de 2013. Siv Jensen, ministra das Finanças, faz campanha contra a “crescente islamização” do país. Já na Suécia, a legenda Democratas Suecos, igualmente anti-imigração, obteve um acréscimo de 13% dos votos no Parlamento em eleições realizadas há poucos meses. Por não conseguirem ter impacto sobre o governo, defrontaram-se com o impasse e um novo pleito foi marcado para março.

Desde as eleições legislativas de 2010, o Partido para a Liberdade (PVV), do controverso Geert Wilders, é o terceiro da Holanda. Com sua juba prateada, Wilders, de 51 anos, chama o Islã de “religião totalitária”. Não escasseiam líderes a condenar extrapolações da extrema-direita. No entanto, governos de centro-direita, e mesmo de centro-esquerda, são confrontados por outras siglas de suas alianças. A chanceler alemã,  Angela Merkel, condena o Pegida por “agitação e difamação”. Por sua vez, o ministro social-democrata da Justiça, Heiko Maas, chamou o movimento de “uma desgraça”. No entanto, a legenda de centro-direita da Bavária, União-Social Cristã (CSU), a integrar a aliança de Merkel, alega que Heiko Mass “denegriu maciços protestos pacíficos”. A CSU já havia causado polêmica ao dizer que estrangeiros deveriam falar alemão até em casa, mas acabou por retratar-se. Bernd Lucke, do Alternativa para a Alemanha (AfD), afirmou: “Várias das demandas deles são legítimas”.

O premier italiano de centro-esquerda, Matteo Renzi, dirige o país em aliança com a direita. O ministro do Interior e líder da Nova Centro-Direita, Angelino Alfano, anunciou a repressão a camelôs e feirantes de praias, quase sempre estrangeiros. Do seu canto, a Liga Norte deixou de ser separatista sob a liderança de Matteo Salvini, de 41 anos. No entanto, para Salvini o grande inimigo é o estrangeiro. O ex-premier Silvio Berlusconi flerta com Salvini para formar uma aliança nas próximas eleições, mas terá de deixar de fazer pactos com Renzi, como o da reforma do sistema eleitoral. Salvini, sublinhe-se, foi hábil ao não aceitar o convite para participar do encontro do Movimento Nacionalista dos Povos Europeus, em Milão. Rejeição nada apreciada por Roberto Fiore, anfitrião do evento e líder do Partido Força Nova. Ex-parlamentar em Bruxelas, quando substituiu Alessandra Mussolini, em 2009, Fiore simpatiza com o fascismo.

No caso do trabalhista Ed Milliband, líder da oposição britânica ao governo conservador do premier David Cameron, parece ser preferível, às vésperas de legislativas em 2015, evitar o delicado tema “imigração”. Diante da força crescente do Partido de Independência do Reino Unido (UKIP), de Nigel Farage, Cameron agendou um referendo para renegociar a permanência do país na União Europeia em 2017.

Na segunda, Hollande evocou imagens fortes de sucessivas ondas migratórias a pontuar a história da França. E, assim, lançou sua campanha para 2017. Não deu nomes aos bois, ou aos “demagogos”. Eles são Sarkozy e Marine Le Pen, a líder do Frente Nacional. Le Pen reconheceu o Holocausto negado pelo pai, mas luta contra a “islamização da França”. Como escreveu Carine Fouteau, do website Mediapart, se Hollande tivesse feito esse discurso a favor da imigração no início de seu mandato, as perspectivas seriam outras. Agora é tarde. “Hollande luta contra oponentes munidos de armas reais.” Segundo as pesquisas, Le Pen venceria Hollande no segundo turno.

*Reportagem publicada originalmente na edição 831 de CartaCapital, com o título “A xenofobia em fermento”